Belio - nº30 - Edição: Back to the roots/De volta às Raízes
 

 

 

Belio Magazine (Espanha) lançou, recentemente, seu último número - BACK TO THE ROOTS.

Pablo IA (Belio) elaborou perguntas para Bruno 9li na sua mais recente aparição pública.

Belio - online store:
http://www.beliomagazine.com/store/belio030-back-roots-p-139.html

 

Confira a entrevista:

Belio > A primeira vez que vimos o trabalho de Bruno 9li ficamos imediatamente chocados. Sua arte tem algo de especial e mágico que nos faz acreditar em "algo" mais. Esperamos pelo melhor momento para convidá-lo a se tornar parte de nossa "família" de artistas. Pois quando fizemos a entrevista e lemos mais sobre o que há por traz do seu trabalho admiramos, ainda mais, seu caminho mágico. Foi um tanto difícil conseguir a entrevista, mas ficamos muito felizes por apresentá-lo como deve ser: revelado!

 

Uma das principais características dos seus primeiros trabalho é a seleção de cores que você usa, na maioria das vezes, preto + branco + vermelho + azul. Existe alguma razão especial para essa escolha? Talvez “menos é mais”?
Primeiro, devo dizer que essa entrevista é guiada por Entidades Livres. E, também, não estou respondendo na minha primeira lingua, portanto, pode ser que esta entrevista venha com alguns “arranhões” assim como no som de um vivil. A combinação que você mencionou na pergunta não compõe as principais cores das minhas últimas 3 séries de trabalhos. Inseri verdes e variações de verdes, laranja e amarelo nas minhas composições. Bem no começo focava no experimento e no desenvolvimento dos meus desenhos usando apenas linhas. Eu estava “afiando” minhas linhas como se fossem facas e “brisando” através da mais direta e simples forma de expressão visual no meu universo – nanquim sobre papel. Então, no começo era epanas o preto sobre o papel branco – dois opostos, dois extremos, 0 e 1 na estrutura binária. Devo dizer que o desenho é a estrutura, o fundamento, é como o esqueleto de uma imagem. Durante essa fase eu estava desenvolvendo o equilíbrio, ritmo e narrativa. Com o decorrer dos anos senti a necessidade de ampliar meu repertório de técnicas para dar mais intensidade às minhas representações visuais de idéias.

 

Seu trabalho apresenta uma estranha mistura de elementos orgânicos e geométricos, linhas, triângulos e retângulos formando texturas entre formas livres que parecem remeter a uma vegetação de outro mundo… você tem interesse na conexão entre natureza e matemática? Onde você consegue inspiração para suas composições?
Vejo as formas orgânicas, matemática e geometria todas conectadas. Quero dizer, deixo minha intuição trabalhar e criar, elaborar combinações que acredito serem tão intensas como meu senso de estar vivo neste tempo e espaço. Meu estilo se dá na maneira que minha mente organiza todos elementos em um estado de constante aprendizado. E isso acontesse inspirado na mais rara singularidade que posso encontrar dentro de mim. Se você imaginar um dinossauro ou, até mesmo, plantas ou peixes do fundo do mar, isso tudo pode parecer ficção… mas isso é tudo verdade e formas orgânicas na terra fazem minha mente ir longe.

 

Em suas imagens aparecem animais, muitas vezes cobras, macacos, leões e elefantes… Tribos antigas relacionam, muitas vezes, poderes místicos aos animais. O que animais significam nos seus trabalhos?
Imagens figurativas remetendo aos animais são, muitas vezes, usadas no meu trabalho para representar entidades, seres em constante evolução espiritual, como chaves, representações de certos poderes. Meu pai costumava me falar que indivíduos dos povos primitivos das florestas do Brasil costumavam sonhar que estavam voando como pássaros ou correndo na floresta como um tigre, porque a floresta e todos eventos nesse ambiente constituem o repertório de suas culturas. Até mesmo no dia a dia deles, costumavam caçar para que pudessem se alimentar, então eles precisavam enfrentar animais selvagens e lidar com seus hábitos e poderes. Eu apenas quero trazer todas as forças que as imagens desses animais podem criar em nossas mentes para lebrar que nós, humanos, não estamos sozinhos no cosmos.

 

Mas em seu trabalho há, também, a presença de humanos vestindo máscaras. O que eles econdem? Ou, o que esses personagens querem nos mostrar vestindo essas máscaras?
Eles (personagens que aparecem vestindo máscaras) são mistérios atrás de amuletos, armas e símbolos que os ajudam na evolucão espiritual. Eles manifestam a intensidade do centro da Terra, enigmas de civilizações de outras dimensões e, também, mensagens capturadas de outras galaxias através do sol. Ao mesmo tempo, eles vêem e compreendem o que é invisível para nossos olhos e indecifrável para nossas mentes. Eles podem ler e codificar mensagens vindas do sol, porque essa é a nossa maior antena que traz informações, até mesmo, dos mais distantes aglomerados de galaxias. Mas agora são muito influenciados por Alcione, a maior estrela das Pleiades.

 

Então, parece que você gosta muito de máscaras Africanas, de alguma forma. Estou certo? Você considera criar máscaras pintadas por você mesmo algum dia? Pessoas tem dado uma grande atenção para o meu interesse na arte Africana (máscaras, elementos gráficos, esculturas, vestimentas religiosas de diferentes regiões desse imenso e fascinante continente…). Mas isso é apenas um dos diferentes elementos que minha mente pesquisa ao criar minhas composições. Talvez, no futuro, posso me interessar em criar máscaras, mas meu foco é a pintura, por agora. Tenho estudado a pintura do século XV na Europa, recentemente.

 

A atual edição da revista Belio tem o tema “De volta às raízes”. Nesse sentido, seus personagens parecem deuses de tribos antigas. Você acredita que poderia existir uma relação entre sua prática artística e as gerações passadas do seu país? Você se interessa sobre suas origens?
Talvez a natureza, de alguma forma, possa ter manifestado idéias das minhas gerações passadas na minha mente, mas isso acontece, não de forma consciente. A família da minha mãe tem descendência de povos do norte da Amazônia e meu pai tem descendência Italiana. Esse pode ser um bom exemplo de miscigenação no Brasil. E não apenas me interesso sobre minhas origens como, indo ainda mais adiante, posso citar o exemplo de, recentemente, um fotógrafo ter registrado de um pequeno avião que sobrevoava a floresta Amazônica, imagens de uma tribo que, em princípio, nunca teve acesso à civilização contemporânea das metrópoles. Eles viviam no coração da floresta, em uma região de dificil acesso. As imagens mostram um nativo mirando uma flecha no sentido do avião. Então, olhando essas imagens que percorreram o mundo, repentinamente pensei sobre o quão mítico poderia ser para as mentes daqueles nativos a imagem de uma espécie de pássaro de metal voando sobre suas cabeças com o som característico das turbinas. Minha mente, instantaneamente, fez uma relação ao conceito dos OVNIS para nossa sociedade racionalista e científica. Minha intuição parace me dizer, a todo momento, que não estamos sozinhos.

 

Algumas vezes, nas imagens que você cria, podemos ver mudras (gestos simbólicos Hinduistas e Budistas) e mãos com olhos. O que você quer expressar incluindo esses ícones religiosos em seus trabalhos? Você se considera uma pessoa religiosa?
Sim, me considero uma pessoa religiosa. Não porque pertenço a uma doutrina especial, uma religião ou sociedade secreta. Sou religioso porque procuro ver o universo ao meu redor como um universo sagrado.

 

E vamos seguir falando sobre religiões e crenças. Parece que em tempos difíceis (como a atual crise econômica e cultural) pessoas se voltam para velhas tradições e crenças. Você acredita que, talvez, a raça humana tem escolhido um caminho errado na ciência e tecnologia, indo, talvez, longe demais de suas origens? Como você vê isso?
Ciência e tecnologia são manifestações, campos para nossas mentes se manterem evoluindo na terra, mas não podemos ser míopes o suficiente para deixar o véu da ignorância tornar nossa lucidez fraca.

 

As imagens que você cria parecem, ao mesmo tempo, psicodélicas, o qual, de certa forma, parecem também conectadas com aspectos religiosos. Muitos artistas dos anos 60 e 70 pareciam ilustrar experiências psicodélicas. Você é fã dessa geração? Nesse caso, quais seriam as maiores referências para você?
Talvez você veja uma manifestação psicodélica atrás dos meus códigos, mas isso certamente não é pura consequência de qualquer droga sintética no meu processo de criação. Meus trabalhos trazem, de alguma forma, minhas mais profundas experiências e idéias sobre essa dimensão que conectada todos nós. Está aí o porquê de dizer que cada pessoa entende o conteúdo do meu trabalho julgando por seus próprios repertórios e experiências. Artistas que realmente me inspiram são aqueles que viveram na Europa do século XV como Bosch, Grünewald, Holbein, Memling ou Dürer e eles pertencem a outros estratos. Talvez eu tenha acessado as idéias e mensagens de Kerouak, Ginsberg ou Burroughs por uma espécie de osmose.

 

Tudo bem! A arte psicodélica tem sua origem conectada, obviamente, com as experiências pessoais desses artistas com drogas psicodélicas como LSD, cogumelos, peyote, ayahuasca, etc… ou através da meditação. Você, alguma vez, provou alguma dessas opções?
Isso é um assunto bastante sério para se comentar e, muitas vezes, me pergunto se devo falar que tomo o Santo Daime (Ayahuaska) em entrevistas. Então, sim, tomo ayahuasca no ritual do Santo Daime no Brasil, não com frequência por agora e, sim, medito enquanto trabalho. Mas é, realmente, importante distinguir as substâncias sintéticas das orgânicas. Se você prova, seja o que for que o faça sentir atraído, isso é por causa do seu Karma. Provei diferentes substâncias, mas substâncias 100% naturais são, de longe, mais profundas e poderosas. Muitas, se usadas da forma adequada, poderiam curar a humanidade do mal da estupidez.

 

Concordo absolutamente com você. Por que deveria perder meu tempo usando algo sintético se a natureza pode me fornecer algo similar… e sei que sse assunto é algo difícil de tartar publicamente. Tenho lido outras entrevistas na internet. Existem muitas de suas idéias que acredito se encaixarem com o que pensamos na Belio, como acreditar nos próprios sonhos, a vida como uma experiência de busca interna, o penoso processo da criatividade como descoberta interna e como tudo está conectado, de certa forma. Nesse sentido o poder das nossas mentes é algo incrível. Onde você acredita ser o limite da nossa realidade? E de onde vem as imagens que você cria?
No Kaibalion você encontra “O TODO É MENTAL”. Até mesmo na filosofia clássica ou nas religiões primitivas Deus está relacionado a força suprema que tudo move e que está em todo lugar. Também, de um certo ponto de vista, a realidade vai até onde nossa sensibilidade pode alcançar/perceber e esse é o porquê de Krishnamurti ter dito que inteligência é sensibilidade, uma vez que a sensibilidade é relacionada a visão / percepção. Vejo esse rocambole (mundo material) como o mundo das convenções, a maioria das pessoas acreditam e aceitam esse mundo com um véu na frente de seus olhos, o véu das ilusões, burocracia e dos limites do sistema escolar. Idéias manifestadas através do meu trabalho são reflexões sobre o mundo que a natureza manifesta na minha mente, é como se houvesse um programa que conecta todas imagens que me influenciam, sou como uma antena e tento me aproximar ao máximo que posso dessas visões. Imagens mostradas no meu trabalho não são minhas, apenas misturo, fervo e derreto todas imagens em minha mente, as torno visíveis e assino atrás. Essa é a alquimia, para aqueles que compreendem o sentido dessa palavra. Minha antena está 100% ligada nesse momento, wewewewwwwww.

No seu trabalho intitulado “Acorda Agora” podemos ler “acorda agora – tudo treme aqui dentro”. Você está procurando dentro de você o sentido da sua existência? Poderia a arte ser considerada uma forma pessoal de auto-conhecimento?
Sou Autoindicado, minha mente opera na Universidade Autoindicada por Entidades Livres, que é uma universidade de caminho livre para o aprendizado e para a pesquisa, muito longe da estrutura do programa do sistema escolar vigente. Deixamos nossas mentes trabalhar como antenas que sintonizam sinais no cosmos. Na UAEL enquanto desenvolvo a minha arte estou focando atingir diferentes níveis de consciência para minha mente, estou procurando pela mais profunda e lúcida idéia de vida na Terra, essa é minha busca pela quarta dimensão, sempre focando em aprender e evoluir. SEMPRE EVOLUIR!

Outros títulos dos seus trabalhos são “Purificação”, “Na Aurora é Nóis”, “Visionando”, “Porta de Três Cantos”… todos remetem minha mente a pensamentos profundos sobre questões essenciais como “o que somos nós?” ou “de onde viemos?”, “para onde vamos?”… você gostaria de dividir conosco alguma resposta?
Cada um de nós tem uma galaxia interna, CONSTRUA SUA PRÓPRIA NAVE E, “BON VOYAGE”.


Seus trabalhos podem aparecer em formatos pequenos em papel para galerias ou grandes formatos para paredes nas ruas. Qual formato você mais gosta?
Nesse momento sou um pesquisador dentro de uma caverna em São Paulo. Estou me concentrando, pintando em silêncio e vendo menos pessoas o possível justamente porque preciso focar. Estou gostando mesmo é de pintar em telas de linho, grandes pinturas com tinta acrílica.

 

Creio que pintura nas ruas é mais divertido. Como você combina trabalhos nas ruas e pinturas no estúdio? 50% para cada prática, talvez?
Existe um intenso foco para a arte urbana na mídia e no mercado nesse momento e, de alguma forma, isso acaba tendo uma grande repercussão no ineresse das pessoas. Quem me conhece e me acompanha sabe, por exemplo, que fiz apenas uma pintura em espaço urbano em 2009, por exemplo, e foi no bairro Navegantes, Zona Norte de Porto Alegre, onde cresci. Mas que tenho, sim, investido muitas e muitas horas no meu estúdio pintando em linho na minha caverna em São Paulo.

 

Soube que pintura nas ruas, sem permissão, é considerado um crime sério, incluindo punições severas no Brasil. Você já teve algum problema com a polícia?
Sim, já tive problemas e é difícil suportar, muitas vezes. Começei a desacelerar minha produção nas ruas de Porto Alegre porque tive armas apontadas para a minha cabeça, por duas vezes e, acredito que seja o suficiente. Nesses casos fui considerado criminoso, mas estava apenas desenhando com uma caneta permanente em paredes das ruas. Foi quando falei para os policiais, na última vez, “estou apenas desenhando…” – foi quando o policial me disse que se eu falasse que estava “desenhando na rua” mais uma vez ele me levaria para a cadeia, me acusou de vândalo, pixador, mas de forma bastante depreciativa…

 

É curioso… mas esta edição da revista Belio, que é dedicada ao tema “de volta às raízes”, muitos dos artistas convidados têm uma característica em comum: são brasileiros. Porque você acha que isso veio a acontecer? Existe um forte senso de tradicionalismo nos artistas brasileiros?
Não sei ao certo. Vejo jovens talentos seguindo ondas primitivas e “brisando” em composições mais complexas e, também, influenciados por outros jovens visionários contemporâneos. É difícil definir isso, tudo é muito novo. Brasileiros são conectados pela linguagem e cultura, isso cria uma grande nave na quarta dimensão. Quem tem a lança e a tocha nas mãos vai na frente, como que entrando na selva fechada, irmãos guerreiros atrás e pelos lados, sempre avante, o caminho é a evolução.

 

Talvez seja algo Escondido atrás da superfície, mas há um certo estilo definido como “brasileiro”. Você acredita que seu país está vivendo uma “era de ouro”? Quais artistas brasileiros você gostaria de mencionar como seus favoritos?
Não vou dizer qualquer nome, mas meus favoritos são aqueles que buscam a EVOLUÇÃO! Aqueles que pararam em suas pesquisas não me interessam. Existem poucos artistas que realmente admiro e os mesmos sabem disso. Quem parou de criar para se transformar em uma espécie de commodity não tem valor algum para mim, mas entendo que todos precisamos pagar contas, então os respeito. Irmão é irmão.

 

Então fale sobre seus heróis, seus mestres…
Eu trabalho, falo e realizo meus atos em nome dos meus mestres amados, meu pai, Nilo Novelli – visionário do deserto que me disse para seguir meu próprio caminho. Minha mãe, Ione – amor puro. Jesus – amor. Siddhartha Gautama – luz. H. P. Blavatsky – me ajudou a achar meu caminho. Mestre Irineu Raimundo Serra – visão, amor e o Santo Daime - me ensinou a mirar ao invés de sonhar. Chico Xavier, que disse a nós todos que NÃO ESTAMOS SOZINHOS e que devemos TRABALHAR na Terra. Aristóteles – tem me ajudado a refletir sobre as forças invisíveis, METAFÍSICA. RammEllZee (meu mestre mais funky e que é, de longe, o que mais se aproxima da Pedra Filosofal da cultura Hip Hop) – com sua equação fui ensinado a dominar a linguagem e foi fonte de inspiração para algumas das minhas entidades. Arthur Bispo do Rosário que, uma vez disse “quem não pode ver se afoga”. Este senhor foi um REAL VISIONÁRIO. Joseph Campbell – foi muito importante para mim, por ensinar que deveria criar e encarar meus próprios mitos. Krishnamurti – encontrei em suas palavras que inteligência é sensibilidade. Guilherme Pilla – que me disse para desenhar e entregar tudo que tinha por isso. Emerson Pingarilho, que sempre me lembra de AFIAR A MINHA FACA. Aubrey Beardsley, equilíbrio em composições complexas em preto e branco. Mestres Góticos na pintura como Hans Memling, Jean Fouquet, Wittingau’s Master, Dürer, Bosch, Grünewald… - quando estudo suas criações eles me dizem “FAÇA ISSO, VÁ PINTAR AGORA” e seja paciente. Picasso – mestre no desenho puro, bastante conectado com seu eixo. E na música, Vivaldi, mestres brasileiros como Luiz Gonzaga, Vinícius de Moraes e Elomar... também, Mariza no fado português – são todos meus mestres. Todos eles e outros me ajudam a construir meu PROGRAMA, minha ESTRUTURA, minha ARQUITETURA. E não vou falar dos outros porque devo manter informações comigo por agora.

 

Então podemos dizer que todos lhe influenciam… o que mais te influencia?
IMAGENS FORTES! Gosto de ferver todas imagens que me influenciam na minha mente, no meu PROGRAMA, então destilo tudo e transmuto em minhas próprias imagens. E isso tudo acontece na 4ª DIMENSÃO, sempre guiado por Entidades Livres. Portanto, imagens transcendentais do Hinduísmo, IMAGENS DE GUERREIROS de tribos primitivas, até a cultura popular japonesa futurística, arte primitiva dos povos nativos da Floresta Amazônica, manifestações da natureza nas plantas, animais como macacos, tigres e cobras… contrastes, geometria, linha, puras e elegantes linhas, todos mestres que acabei de mencionar anteriormente e, com certeza, minhas experiências com imagens no grande oráculo (internet), a Física, a idéia de que NÃO ESTAMOS SOZINHOS no cosmos e na Terra, a luz do sol, as Pleiades (Messier 45), as formas das galaxias, segredos vindos de buracos negros e a força do centro da Terra.

 

No último ano seu trabalho tem ganhado um grande sucesso em revistas e galerias pelo mundo. Como você se sente com isso? Você imaginaria isso há dez anos atrás?
Sim, mas não exatamente dessa forma. Tenho arquitetado tudo em tempo real - AGORA – porque acordei para minha missão há mais de dez anos atrás. Tenho tentado escolher as melhores oportunidades para mostrar meus pensamentos e outras pessoas pensam que sou esnobe por não responder as perguntas deles. Eles apenas têm que entender que tenho que trabalhar e cada entrevista que respondo me toma energia e tempo. Decidi responder suas perguntas porque gostei delas e, provavelmente, será minha última entrevista por um bom período. Apenas penso que devo desaparecer por um tempo – minha mente me diz isso, agora.


Muitos jovens artistas têm visado o mesmo “sucesso” mas, também, respeito e liberdade de trabalhar exclusivamente de arte. Não sei, ao certo, se esse é o seu caso, mas creio que esse é um caminho difícil. Qual o segredo do sucesso? Alo que você gostaria de aconselhar para quem inicia essa carreira?
Eu trocaria a palavra sucesso por missão. O dia que percebi que estava em uma missão decidi viver dos meus desenhos, mesmo que tivesse que viver na miséria por isso, quero dizer, miséria em dinheiro, mas não de espírito. E não há segredo para isso, é apenas uma chamada interna. Não gosto de obedecer e dizer sim para algo ou alguém em quem não acredito e, é isso. Posso morrer na miséria, mas como um homem livre – para mim o ato de criar pinturas e desenhos é um ato de liberdade. Em muitos casos, empregos, universidades, outras grandes corporações e instituições são apenas barreiras para a lucidez.

 

Pois seu sucesso ou missão também lhe ofereceu a chance de conhecer outros países como USA, Espanha, Japão, etc. Há alguma cidade ou lugar que lhe cativou profundamente? E o que aprendeu com todas essas viagens?
Todos lugares e situações as quais me envolvi foram muito boas. E, mais uma vez, a palavra sucesso me traz más idéias na mente – missão soa melhor, como o sucesso na missão. Se consegui espaço na mídia, de certa forma, é porque isso é parte da minha missão, o fato de alcançar mentes que vão ler o que digo, como um OVNI nos céus – wewewew.

 

Ok, certo! Vamos dizer que seu sucesso é consequencia do seu trabalho. Ainda assim, o selo musical Planet Mu lançou, recentemente um novo trabalho de Jamie Vex’d com um de seus trabalhos na capa. Como isso aconteceu? Que tipo de música você escuta enquanto cria?
Os sons de Jamie Vex’d criam imagens de outros mundos na minha mente. Quando o escutei pela primeira vez pensei que se encaixava perfeitamente com meus cenários, por isso decidi fazer a parceria. Foi, inclusive, uma grande sincronicidade, o pessoal da Planet Mu foi bastante gentil comigo e decidi não cobrar meu preço por isso. E quanto aos sons que escuto, tenho dado atenção aos sons da Humbanda, música clásica e o som feito por mestres visionários do rap de NY e, até mesmo, sons dos avós da Bossa Nova.

 

O “dia do julgamento de 2012” é um meme que propõe que eventos em cataclismas apocalípticos vão ocorrer no ano em questão. Outras teorias dizem que, durante esse tempo, o planeta e seus habitantes vão sofrer uma física e espiritual transformação, um tanto similar a um “armagedon”, e que 2012 deve marcar o início de uma nova era socio-política na comunidade global. Quais são seus planos para antes e depois dessa data?
CONSTRUA SUA PROPRIA NAVE – TODOS CONECTADOS. QUERO VER O QUE VOCÊ VAI FAZER QUANDO A LUZ DA FORÇA INVISÍVEL APARECER.

 

Ok! Vamos nomear nossa nave Belio. Muito obrigado por suas palavras e tempo. Nos vemos na quarta dimensão…